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O Sistema Integrado de Alertas de Desmatamento com radar orbital - SipamSAR

No período compreendido entre outubro e abril, a detecção do desmatamento e outros ilícitos na região amazônica por meio de dados orbitais de sensores ópticos é dificultada pela persistente cobertura de nuvens. Dessa forma, a emissão de alertas de desmatamento pelos órgãos governamentais competentes diminui, podendo levar à interpretação de diminuição da retirada da vegetação, sendo que na verdade trata-se da limitação de obtenção de imagens para análise.

Com o objetivo de ampliar a capacidade de detectar o desmatamento e a proteção da Amazônia, o Censipam passou a utilizar dados de sensores orbitais de Radar de Abertura Sintética (SAR) para a obtenção de imagens durante o período de outubro a abril. Essa tecnologia tem como uma das características a capacidade de poder obter imagens da superfície mesmo com a presença de nuvens, sendo estas invisíveis para o sensor. Assim, o Censipam colabora com os órgãos de fiscalização gerando alertas de desmatamento na época em que a Amazônia está sob maior cobertura de nuvens.

No início do mês de outubro de cada ano, o Censipam começa a receber os dados SAR com resolução espacial entre 3 e 6 metros de áreas indicadas como prioritárias pelos órgãos de fiscalização – IBAMA e ICMBio, fruto de uma parceria entre o Ministério da Defesa e o Ministério do Meio Ambiente. Os dados são recebidos no Centro de Processamento do Centro de Coordenação-Geral (CCG) do Censipam, em Brasília. Nele, os dados são processados e são geradas as imagens com os indicativos de alteração na cobertura da Terra.

Essas imagens são, então, disponibilizadas aos Centros Regionais de Belém, Manaus e Porto Velho, nos quais são realizadas a análise, interpretação e geração dos alertas de desmatamento. A partir daí, no dia seguinte à identificação de um novo desmatamento, o alerta fica disponível ao IBAMA e ao ICMBio por meio de um geoserviço do Censipam. Esse fluxo de trabalho se repete mensalmente para cada cena das áreas monitoradas durante os meses de outubro a abril.

A geração dos alertas de desmatamento tem como objetivo subsidiar os órgãos responsáveis pelas ações de fiscalização como IBAMA, ICMBio e Secretarias do Meio Ambiente nos Estados da Amazônia Legal no combate aos ilícitos ambientais.

O uso de imagens SAR com o objetivo de detectar o desmatamento na Amazônia teve início em 2013 e, até 2015, o sistema utilizou imagens provenientes de sensores SAR aerotransportados da aeronave R-99. As limitações operacionais em se realizar o monitoramento frequente de uma área tão vasta levaram à necessidade de se buscar uma alternativa para o monitoramento do desmatamento. Esta deveria ser flexível e possibilitar, pelo menos, uma cobertura mensal da área de interesse.

Em julho de 2015, o Censipam aprovou um projeto junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com recursos não-reembolsáveis do Fundo Amazônia. O contrato foi assinado no dia 20 de julho de 2015 em cerimônia no Ministério da Defesa, e tem até julho de 2019 para ser concluído. O BNDES liberou R$ 63,9 milhões, provenientes do Fundo da Amazônia. Outros R$ 16,6 milhões são do Orçamento da União, somando R$ 80,5 milhões no combate ao desmatamento ilegal e outros ilícitos na Amazônia Legal. O projeto, denominado Amazônia SAR, prevê a implantação de uma infraestrutura de recepção de dados de sensoriamento remoto provenientes de satélites de observação da Terra, em especial, dados SAR. A partir da sistematização do uso dos dados SAR para geração de alertas mensais no período de outubro a abril surgiu, em 2017, o Sistema Integrado de Alertas de Desmatamento com radar orbital - SipamSAR, produzindo alertas a partir da análise e interpretação das imagens.

A partir da instalação de sua estação de recepção e gravação (ERG), o Censipam passará a receber os dados SAR diretamente em sua própria infraestrutura, que contará com duas antenas de rastreio, uma de 11,3m instalada em Brasília e uma de 7,3m instalada em Manaus. Assim, o tempo entre a coleta da imagem e a emissão do alerta de desmatamento será menor do que o atual, uma vez que o dado coletado pelo satélite será imediatamente descarregado em uma das antenas do sistema e entrará no fluxo de trabalho.

A área monitorada tem sido, desde 2016, de 300 mil km² mensais, no período compreendido entre outubro e abril, nos estados da Amazônia.