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Notícia

Projeto Amazônia SAR: desenvolvimento operacional e primeiros resultados na identificação do desmatamento com imagens de Radar Orbital

O evento aconteceu de 07/11 a 08/11 e teve como objetivo, debater sobre métodos, resultados e experiências com uso das imagens de radar e outros trabalhos de especialistas nas temáticas de observação da Terra.

O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia – Censipam/SG/MD iniciou em 2016 o monitoramento do desmatamento na Amazônia com radar orbital. Esta iniciativa tem duração de quatro anos e é apoiada pelo Fundo Amazônia e executada via BNDES no Projeto intitulado Amazônia SAR (radar de abertura sintética). 

A finalidade do Projeto Amazônia SAR é prover a infraestrutura para a operacionalização do Sistema Integrado de Alerta de Desmatamento com Radar Orbital - SipamSAR, que proverá alertas sistemáticos de desmatamento, no período de alta densidade de nuvens na Amazônia, de forma complementar ao DETER do INPE. 

O INPE utiliza satélites óticos para detectar o desmatamento, no entanto estes satélites são dependentes da iluminação do território pelo sol e de inexistência de nuvens/fumaça/chuva entre o sensor e a área de interesse. Já a tecnologia de imageamento por micro-ondas (radar) é adequada para áreas que estão sujeitas a intensa carga de nuvens e chuvas como é o caso da Amazônia, além disso pode ser aplicada durante a noite pois independem de luz solar para coletar imagens. Por isso, os sistemas DETER e SipamSAR serão complementares. 

A 1ª Fase do Projeto (Consumo de Imagens de Radar Orbital) está sendo realizada com dados de radar orbital em banda X coletadas pela constelação de quatro satélites COSMO-SKyMed, operada pela e-GEOS e representada no Brasil pela Empresa Geoambiente. 

Nesta fase, a equipe do Censipam processou e interpretou uma área de 1.537.000 km² sobre o total de 6.287.000 km² planejados, no primeiro semestre de 2016.  O restante será coletado no período de novembro de 2016 a novembro de 2017 e sendo complementados com imageamentos das aeronaves R 99 da Força Aérea Brasileira. 

As imagens foram coletadas em modo “Stripmap”, que tem uma resolução espacial nativa 3 x 3 metros. A elevada sensibilidade das imagens SAR à rugosidade da cobertura do solo, a resolução espacial e a alta capacidade de revisita da Constelação COSMO-SkyMed, permitiram detectar e acompanhar processos de mudança na floresta devidos a desmatamentos ocorridos durante o período. Na primeira imagem, nas áreas no retângulo amarelo, um exemplo de detecção da perda de cobertura vegetal de forma gradativa durante o período monitorado por três imagens da Amazônia coletadas entre abril e junho de 2016.

Para cada coleta realizada o Censipam recebe os seguintes produtos:

  • Imagem em nível de processamento Single Look Complex (SLC)
  • Imagem ortho-retificada com SRTM-30 e georeferenciadas no Sistema Geodésico Brasileiro SIRGAS2000
  • Quicklooks e metadados.

O prazo de entrega das imagens ao Censipam teve um desempenho médio de 1 dia a partir da data coleta feita pelo sensor. 

As coletas cobriram 21 áreas de interesse dentro do mapa de Kernel, distribuídas em toda a Amazônia Legal, como ilustrado na segunda imagem. 

A e-GEOS (empresa Italiana constituída 80% pela Telespazio e 20% pela Agencia Espacial Italiana), operadora do Sistema Cosmo Skymed e distribuidora das imagens dos satélites, desenvolveu um procedimento automático para gerir a produção e a entrega dos produtos, incluindo o controle do processamento dos dados em tempo real, desde a recepção da imagem na estação terrena em Matera (Sul da Itália) até a sua disponibilização para o Censipam. 

É importante notar o volume de processamento para disponibilização de produtos ao Censipam, alcançando no período de pico (entre os dias 10-19 de abril) o processamento de 300 cenas, correspondente a um volume de 50.000 Km2 / dia. 

Uma observação importante é que em termos de áreas, considerando a cobertura total realizada nesta primeira fase, só no 0,4% da área total foram registrados artefatos atmosféricos nas imagens. 

A primeira etapa da 1ª Fase do projeto AmazôniaSAR foi realizada com sucesso obtendo um desempenho totalmente em acordo com os requisitos. 

O monitoramento sobre as áreas continuará mediante a solicitação de novas coletas nos próximos meses e ainda se prevê a inclusão de novas áreas, tais como o estado do Amapá.

A 2ª Fase do Projeto (Consumo de Telemetria em Estação Virtual) está planejada para ocorrer a partir de setembro de 2017 e a 3ª Fase do Projeto (Consumo de Telemetria em Estação Multissatelital implantada no Brasil) está planejada para ocorrer a partir de setembro de 2019. 

O Projeto Amazônia SAR é uma das respostas do Estado brasileiro ao desmatamento ilegal e a outros crimes associados com ocorrência na Amazônia.

 

Péricles Cardim
Diretor de Produtos