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Sala de situação é montada no Censipam para acompanhar saída de posseiros de terra indígena

Brasília - (24/10/2012) - O processo de retirada dos mais de 380 posseiros dos 167 mil hectares da terra indígena Marãiwuatsédé, localizada entre os municípios de Alto Boa Vista e São Félix do Araguaia (Mato Grosso), será acompanhado pelo governo federal em Brasília. Uma sala de situação será instalada no Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e outra em Alto Boa Vista, que será montada dia 29 de outubro.
 
Todas as semanas, os representantes dos órgãos envolvidos (Funai, Polícias, Ibama, Secretaria Geral da Presidência, Ministérios da Justiça, Saúde e Desenvolvimento Social) se reunirão no Censipam em Brasília e, através de videoconferência, conversarão com os envolvidos na operação em Mato Grosso. Com isso, a retirada dos posseiros (mais da metade da área é ocupada por grandes fazendeiros) será acompanhada. O processo de desocupação mobilizará a Força Nacional de Segurança, a polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. O Exército poderá ser acionado para dar apoio logístico.
   
“A sala de situação servirá para prevenir conflitos, pois estaremos acompanhando de perto e resolvendo os problemas que poderão surgir em meio à operação. Sem contar que teremos os profissionais da área de Inteligência do Censipam para nos ajudar”, ressalta o coordenador-geral de Movimentos do Campo e Territórios, da Secretaria-Geral da Presidência da República, Nilton Luís Godoy Tubino. Os posseiros deverão receber da Justiça, nas próximas semanas, a intimação para a saída da área. Segundo Tubino, a área já está totalmente desmatada.
 
A briga pela terra indígena começou na década de 60, quando a Agropecuária Suiá-Missú ocupou a área. Os indígenas foram retirados do local para dar lugar à expansão da agropecuária na região e levados à terra indígena São Marcos, no sul de Mato Grosso. Na década de 80, a Suiá-Missú foi vendida à empresa italiana Agip, do setor petrolífero. Em 1992, por pressão nacional e internacional, a terra foi devolvida aos Xavantes.

A área foi declarada indígena em 1993 e, cinco anos depois, sua demarcação foi homologada pela União, em 1998, como de posse permanente e usufruto exclusivo do povo Xavante.  No entanto, mesmo devolvida aos índios, a área já havia sido invadida por posseiros. Os indígenas, então, ocuparam apenas 10% do território a que têm direito. Depois disso, a batalha pela terra começou a se arrastar pela Justiça. E, agora, já não há mais como recorrer e os posseiros terão que deixar o local. 

Na língua xavante, Marãiwuatsédé significa "mato fechado, mata perigosa”.

Assessoria de Imprensa
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