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Relatório do Sipam revela municípios campeões em queimadas em RO

Os dados apontam a redução de 47% no número de focos de calor em 2007 em comparação com 2006.

O Centro Técnico e Operacional (CTO) de Porto Velho, unidade do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), divulgou na última quinta-feira o relatório de focos de calor em Rondônia em todo o ano de 2007. Os focos de calor são identificados por imagens geradas por satélites orbitais de monitoramento e indicam onde ocorreram queimadas, bem como as áreas afetadas.

Os resultados da análise dos focos de calor foram apresentados para os participantes da “Oficina de Prevenção às Queimadas na Amazônia em 2008”, evento que reuniu 24 instituições públicas. Os dados apontam a redução de 47% no número de focos de calor em 2007 em comparação com 2006. Segundo a Divisão Ambiental do CTO, em 2006 os satélites captaram 53 mil focos de calor. Em 2007, o número foi de aproximadamente 28 mil.

Os meses que mais tiveram queimadas no ano passado foram agosto (8,7 mil focos de calor), setembro (11,8 mil) e outubro (6,4 mil). Só nestes três meses registraram-se mais de 90% dos focos de calor em Rondônia.

O relatório aponta os municípios que mais tiveram queimadas. Em números absolutos, os cinco que mais tiveram focos de calor em 2007 foram: Porto Velho (5.352 focos), São Francisco do Guaporé (2.255), Costa Marques (2.122), Nova Mamoré (1.857) e Machadinho do Oeste (1.432).

Já em termos proporcionais, considerando a relação entre o tamanho do município e a quantidade de focos de calor, os campeões foram: São Francisco do Guaporé, Costa Marques, Buritis, Cujubim e Alto Paraíso. Nesta relação proporcional, Porto Velho cai para a 12ª posição no ranking de municípios com mais queimadas. Já São Francisco do Guaporé registrou proporcionalmente um índice muito elevado, tendo quase dez vezes mais focos de calor que o segundo colocado, Costa Marques.

Pela análise dos dados das queimadas, há uma relação direta entre fogo e estradas. Segundo o relatório, quanto mais próxima da malha viária, maior a incidência de focos de calor. As queimadas com distância de até dois quilômetros das estradas contabilizaram 19.972 focos de calor, o que representa 67% do total analisado. Entre dois e cinco quilômetros de distância das estradas, foram 6.116 focos registrados, perfazendo 20,6%. De cinco a dez, 2.149 focos de calor. Já de dez a vinte quilômetros, foram registrados 832 focos e acima de 20 quilômetros de distância das estradas, 587 focos.

Áreas de queimadas

A análise do Sipam fez diversos cruzamentos de dados, na intenção de identificar regiões prioritárias de prevenção e combate às queimadas e, dessa forma, auxiliar os órgãos ambientais em suas ações. O relatório aponta que 19% das áreas com queimadas estão em projetos de assentamento. Destes, os dez assentamentos que mais tiveram focos de calor são: Conceição (em Costa Marques), Pau D'arco (Porto Velho), Renascer (em Cujubim), Gogó da Onça (São Francisco do Guaporé), Igarapé Azul (Nova Mamoré), Sagrada Família (São Francisco do Guaporé), Agostinho Becker (Cujubim), Cautarinho (São Francisco do Guaporé) e Serra Grande (Costa Marques).

Já as unidades de conservação federais e estaduais representaram 12% dos focos de calor registrados em 2007. A Floresta Nacional (Flona) do Bom Futuro, nos municípios de Porto Velho e Buritis, teve 1.208 focos de calor. A Reserva Extrativista (Resex) Rio Jaci-Paraná, localizada na divisa dos municípios de Porto Velho, Buritis e Nova Mamoré, teve 1.018 focos de calor. Estas unidades de conservação são fiscalizadas pelo Ibama e Sedam, respectivamente.

As terras indígenas tiveram 2% dos focos de calor registrados no ano passado. As que mais tiveram queimadas foram: Massako (150 focos de calor), Uru Eu Wau Wau (133) e Karipuna (106). A soma das duas primeiras representou 58% dos focos de calor registrados em terras indígenas.

O relatório de focos de calor também fez um cruzamento entre as áreas afetadas pelo fogo e o Zoneamento Sócio Econômico e Ecológico (ZEE). O resultado constatou que 68% dos focos de calor aconteceram em áreas de uso agrícola e 18% em áreas de conservação e de manejo florestal.

Fonte: Ascom/CTO-PV