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Censipam valida metodologia inédita de detecção de extração seletiva de madeira

Testes realizados na Flona Jamari (RO) comprovaram precisão de sistema capaz de identificar distúrbios na floresta por meio de imagens de radar

Por Willian Cavalcanti

Imagens de radar captam alterações nas copas da árvores

Imagens de radar captam alterações nas copas da árvores

Uma equipe de analistas de sensoriamento remoto do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) validou uma metodologia inédita no mundo para detecção automática da extração seletiva de madeira por meio de imagens de radar. O trabalho de campo foi realizado em julho, na Floresta Nacional (Flona) do Jamari, em Itapuã do Oeste (RO). A área é uma concessão do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) para a exploração legal de madeira por meio do corte seletivo.

A equipe de analistas desenvolveu uma metodologia capaz de identificar automaticamente pequenos distúrbios no dossel da floresta e mostrar a extração de cada árvore individualmente. “Com o uso de imagens radar muito atualizadas e de altíssima resolução, temos agora uma ferramenta poderosa na detecção de mudanças na floresta”, afirma Tahisa Kuck, analista que compõe a coordenação do projeto.

A alta taxa de acertos na detecção automática demonstrou que a metodologia pode ser uma grande aliada no combate à extração ilegal de madeira e em breve deve se tornar operacional. A ferramenta deve ser utilizada principalmente em épocas do ano com alta taxa de cobertura de nuvens, em que satélites ópticos não conseguem enxergar através das nuvens.

De forma pioneira no mundo, o Censipam atua desde 2016 na detecção de desmatamento em épocas de alta cobertura de nuvens na Amazônia por meio de dados de radares orbitais de observação da Terra. “Temos uma grande preocupação com a extração seletiva de madeira, que, muitas vezes, precede o corte raso. Além disso, uma quantidade ainda não estimada de madeira ilegal entra anualmente na cadeia produtiva”, explica a analista.

Aplicação pelo Serviço Florestal Brasileiro

O próximo passo do projeto é um acordo de cooperação com o Serviço Florestal Brasileiro, órgão do Ministério do Meio Ambiente, para o uso da nova ferramenta no monitoramento dos contratos de concessão de Florestas Nacionais gerenciadas pelo órgão.

“A identificação da exploração seletiva utilizando radar traz para nós um potencial muito grande. Além de atuar em épocas com intensa cobertura de nuvens, será possível automatizar a identificação do desmatamento. Com o radar, poderemos cobrir grandes áreas em um prazo muito menor, substituindo o processo de análise visual, que é muito moroso”, avalia José Humberto Chaves, gerente de monitoramento e auditoria florestal do SFB.

Para o Serviço Florestal, será possível verificar se o concessionário está realizando o manejo dentro dos limites da autorização e identificar eventuais invasões nas áreas de florestas públicas.

Futuramente, o processo poderá ser expandido para áreas de interesse de outros órgãos de meio ambiente, como o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), realizando a identificação da exploração ilegal em áreas protegidas, como unidades de conservação e terras indígenas.

“Esse novo processo amplia muito a nossa capacidade de monitoramento da exploração seletiva na Amazônia. Dados mostram que a área de degradação de florestas é de duas a três vezes maior que a área diretamente desmatada. Então o impacto é muito grande, principalmente pela perda de biodiversidade e de potencial produtivo”, explica José Humberto.