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Censipam processa 1,5 milhão km² para detectar desmatamento ilegal na Amazônia

Na próxima semana, o Censipam começa a processar 1,5 milhão de quilômetros quadrados de imagens de radar orbital para detectar desmatamento ilegal na Amazônia. As imagens são de áreas mais suscetíveis ao desmatamento devido às condições meteorológicas (excesso de nuvens). Para isso, é necessária uma tecnologia capaz de atravessar a barreira de nuvens como o radar orbital. O trabalho faz parte do projeto Amazônia Sar, que monitora uma extensa área da Amazônia no período de muitas nuvens. As informações são repassadas ao Ibama para operações de fiscalizações e para o Inpe, que utiliza para compor os dados de desmatamento.

As imagens que serão processadas referem-se aos meses de abril e maio. Elas foram adquiridas através de licitação. Neste primeiro momento, o Censipam está comprando as imagens de radar, enquanto inicia todo o processo de construção e a compra de uma antena de recepção e gravação das imagens de radar orbital. Com a antena, o órgão passa a adquirir o sinal de satélite, baixando as imagens em tempo real (a cena é baixada na medida em que o radar está varrendo o local), propiciando mais rapidez. Um monitoramento em tempo real.

Será a primeira vez que a Amazônia será monitorada sistematicamente com radar orbital, explica o diretor-geral do Censipam, Rogério Guedes. Do total investido no Projeto, R$ 63,9 milhões de recursos não-reembolsáveis são provenientes do Fundo Amazônia via contrato assinado com BNDES no ano passado. Os outros R$ 16,6 milhões são oriundos do Orçamento da União. A tecnologia de radar é a mais apropriada para detectar desmatamento, já que permite observar através das nuvens. área que será monitorada mensalmente compreende o Arco do Desmatamento, que corresponde sete vezes o tamanho do estado do Amapá.

Sobre a Amazônia SAR

SipamSAR começou a ser implantado em outubro de 2013 utilizando imagens de radar aerotransportado na aeronave R-99 da Força Aérea Brasileira (FAB). Contudo, o alto custo financeiro para um monitoramento sistemático, além da resposta temporal, dificultou a continuidade da atividade. Por isso, a alternativa foi comprar as imagens enquanto constrói a infraestrutura para baixar as imagens direto por uma antena que capta o sinal de satélite do radar orbital.

A necessidade de um Projeto para monitorar a Amazônia nos meses de alta densidade de nuvens com imagens de radar surgiu no âmbito do Gabinete de Gestão Integrada (GGI), que reúne os órgãos de segurança. A partir disso, o Projeto começou a ser construído em parceria entre o Censipam, Ibama e Inpe. Depois de finalizado, foi aprovado no Conselho Deliberativo do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), no dia 23 de junho de 2015, com recursos não-reembolsáveis do Fundo da Amazônia, que capta doações para investimentos não-reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, e de promoção da conservação e do uso sustentável das florestas no bioma Amazônia.