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| Exposição revela patrimônio arqueológico da Amazônia |
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Aberta ao público até 14 de setembro, a mostra integra a programação do Encontro Internacional de Arqueologia Amazônia Traços da arte, da cultura e da vida social de povos que habitaram a Amazônia há milhares de anos são apresentados na exposição “Patrimônio Arqueológico da Amazônia”, aberta na noite da terça-feira, dia 2, na Estação das Docas, em Belém. A mostra compõe a programação do Encontro Internacional de Arqueologia Amazônica, realizado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult). Montada no Armazém 3 da Estação das Docas, a exposição está aberta à visitação pública até o próximo dia 14 de setembro, de segunda a sexta, de 9 às 21 até sexta-feira, e aos sábados e domingos, das 14 às 22h. Além de painéis e fotografias, que revelam detalhes sobre as origens da ocupação humana na Amazônia brasileira, a exposição apresenta 16 peças arqueológicas, incluindo um bloco com gravuras rupestres da região de Monte Alegre, pertencentes ao acervo do Museu Paraense Emílio Goeldi. Composta por urnas, vasos, estatuetas e artefatos cerâmicos das culturas Marajoara, Maracá, Guarita, Aruã, Ariste, Tapajônica e Tupiguarani, a mostra revelam a diversidade cultural, o talento artístico e a criatividade dos povos da Pré-História da Amazônia. Essa viagem para uma Amazônia antiga e que transporta os olhos e imaginação para o ano 1.100 a.C., quando se iniciou a ocupação na região, revela um mundo em que o extinto de sobrevivência dos povos está presente nas ferramentas e nas estruturas que o tempo não conseguiu destruir. Além disso, as formas de lidar com o mundo exterior e com a morte também são relações que as peças arqueológicas, acompanhadas de textos escritos por pesquisadores, revelam para os visitantes. A “escrita” se constitui em um dos principais itens da exposição: não o alfabeto complexo de hoje, mas a linguagem desses povos que faziam das pedras o papel para suas expressões escritas, conhecidas como gravuras e pinturas rupestres. Um bom exemplo são os sítios arqueológicos do Parque Estadual Serra das Andorinhas, no município São Geraldo do Araguaia, às margens do Rio Araguaia, sudeste do Pará, e no Parque Estadual Monte Alegre, Oeste do Pará, onde há várias formas de inscrições nas pedras. Outra maneira de se comunicar vem do Acre, onde a Arqueologia estuda os geoglifos, construções de valetas escavadas que formam figuras geométricas, como círculos e quadrados, cujas dimensões chegam, ocasionalmente, a mais de 200 metros e, às vezes, com mais de três quilômetros de estradas escavadas na terra. Pesquisas arqueológicas revelam que os geoglifos acreanos possuem datação que vai desde o ano 1000 a.C. a 1200 d.C. Para o curador da exposição João Aires, bolsista de Arqueologia do MPEG, que divide a curadoria com Nelson Sanjad, Coordenador de Comunicação e Extensão do Museu Goeldi, as valetas podem ter servido para a construção de paliçadas de madeira para projeção contra ataques de inimigos ou, até mesmo, como demarcação de áreas cerimoniais onde teriam se realizado rituais e festas. Diversidade cultural Testemunhas da história de povos já desaparecidos, os sítios arqueológicos da Amazônia também têm sofrido com o desenvolvimento que avança sobre a floresta. Muitos sítios são destruídos ou descaracterizados antes mesmo que os arqueólogos investiguem sua origem e estrutura. Além disso, o comércio ilegal de peças, as queimadas, a intensa exploração de recursos naturais e obras de infra-estrutura fazem desaparecer riquezas arqueológicas. Sob esse aspecto, a exposição também convida o visitante para uma reflexão sobre a vulnerabilidade dos patrimônios arqueológicos e alerta para o risco de sua destruição. “Queremos que o visitante saiba que existe Arqueologia na Amazônia e, com isso, mostrar para os estudantes que eles podem seguir outras vertentes de estudo referentes à região amazônica”, diz o curador que se dedica ao estudo de estatuetas líticas do Baixo Amazonas. A jornada rumo aos antigos povos da região faz uma parada no Baixo Amazonas, no Estado do Amapá (AP), onde viveram os grupos Ariste e Maracá entre os séculos IV e XV, na região entre o rio Araguari (AP) e o Monte Ouanary, na Guiana Francesa. Suas aldeias localizavam-se sobre pequenas colinas ou nos barrancos dos rios, onde os abrigos sob-rochas eram utilizados como espaços cerimoniais. Peças dos povos Konduri e Tapajós também estão expostas na mostra “Patrimônio Arqueológico da Amazônia”. Estudos históricos e arqueológicos revelam que quando os primeiros europeus chegaram à região do Baixo Amazonas, entre Nhamundá e o Trombetas, encontraram aldeia do grupo Konduri, que ocupou também outras áreas mais ao interior e, ao que tudo indica, tinham organização social e política articulada e suficientemente poderosa para dominar uma vasta região. Pesquisas arqueológicas datam os Konduri de 1000 a 1450 d.C., o que os torna contemporâneos do povo Tapajó, outro ilustre convidado da exposição. A arte do povo Tapajó, tão admirada por amazônidas, brasileiros e estrangeiros, revela uma produção variada de vasilhames e estatuetas de cerâmica, objetos de pedra, esteiras e vários trabalhos em madeira. Esses objetos expressam também as relações de hierarquia que havia entre os chefes de aldeia e uma elite dominante. Fontes históricas revelam que o povo Tapajó viveu entre os anos 1000 e 1550 d.C., formando grandes aldeias na região onde hoje se localiza a cidade de Santarém. A arte Marajoara também não poderia faltar na exposição. Os marajoara viveram na Ilha do Marajó (PA), entre os séculos V e XIV d.C.. Sua organização política, de início baseada no trabalho familiar, foi se tornando complexa com o aumento da população, e deu origem aos Cacicados, no qual o poder era centralizado numa elite dirigente. A cultura Marajoara se notabilizou pela construção de aterros monumentais e a confecção de cerâmicas cerimoniais altamente elaboradas. Inicialmente os aterros foram construídos para proteger a população das inundações periódicas da ilha. Mais tarde, tornaram-se marcadores de condição social. A herança dos povos do Alto Xingu também integra a exposição. Recentes estudos sugerem que a região também fora habitada por sociedades complexas baseadas na agricultura e distante das várzeas do rio Amazonas. As pesquisas revelam ainda que as populações ancestrais apresentavam uma estrutura social articulada, pois construíram, há mil anos atrás, grandes aldeias circulares, ligadas por estradas que convergiam para praças centrais, com a ajuda dos antepassados dos Kuikuro, grupo indígena que ainda hoje ocupa essa região do Xingu. Fonte: Museu Goeldi |
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