Efeitos da estiagem PDF Imprimir E-mail
Sipam na Mídia
23-Set-2010

As modificações verificadas no tempo vêm provocando efeitos desastrosos não apenas no Nordeste, onde as estiagens são marcas seculares da região. Desta feita, as alterações castigam igualmente a Amazônia e o Pantanal, onde as estações chuvosas têm seis meses de duração. Por último, as secas estão sendo mais frequentes nessas duas regiões, contrastando com os excessos de chuva, comuns outrora.

A destruição da floresta, pelo menos na Amazônia brasileira, deve ter implicações no seu regime de chuvas, embora haja parcimônia na divulgação desses efeitos contidos nos trabalhos de pesquisa dos institutos voltados para a floresta espalhada pela metade do território nacional. Quanto ao Pantanal, também não há pesquisa disponível capaz de arrolar os fatores concorrentes para a escassez das chuvas.

Para os meteorologistas do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), a seca em curso no oeste e sul do Amazonas decorre da falta de chuva nas nascentes dos rios localizadas no Peru e na Colômbia. Num autêntico paradoxo, o fenômeno "La Niña", responsável pelo esfriamento das águas do Oceano Pacífico tropical, é observado, há dois meses, provocando, em consequência, excesso de chuva nas zonas norte e leste do Estado. Esse efeito poderá estender-se em outras regiões.

A longa estiagem tem provocado queda no nível dos rios, prejudicando o principal meio de transporte da região: a navegação fluvial. Diante desse fato pouco frequente, 27 cidades amazonenses encontram-se em estado de alerta. O comprometimento da navegabilidade prejudica até mesmo o abastecimento das populações ribeirinhas, os combustíveis para as termelétricas e a coleta de informações para o Censo Demográfico 2010, em execução pelo IBGE.

A redução no volume de água dos principais rios do Norte do País poderá chegar aos níveis da seca de 1963, quando se deu a maior estiagem da história do Rio Negro, que atingiu o nível de 13,64 metros, ele que tem profundidade de 23 metros e imenso trecho superior a 30 metros. Também estão sendo afetados os rios Solimões, Purus e Juruá, gerando isolamento para as cidades de Tabatinga, São Paulo de Olivença, Benjamim Constant, Atalaia do Norte, Itamarati, Ipixuba e Guajará.

Como sempre ocorre quando do desencadeamento de quadros de calamidade pública como este, o poder público demora a socorrer as áreas prejudicadas. Neste caso, o problema mais grave diz respeito à falta de água potável. As populações ribeirinhas - as mais prejudicadas - costumam se abastecer nos rios poluídos. Como a seca afetou até os igarapés circundantes de Manaus, alimentados pelo Rio Negro, o suprimento humano vem sendo feito por águas encontradas em barreiros situados no leito dos rios.

Quanto ao Pantanal, no Centro-Oeste, ele tem, como na Amazônia, períodos distintos de chuvas abundantes, com cheias em suas várzeas, e de verão. Este ano, a estiagem vem-se prolongando, causando transtornos de toda ordem.

Os fatos revelam o agravamento das mudanças climáticas com suas repercussões gerais no equilíbrio da Natureza. Os governos precisam se preparar melhor para as emergências.

Diário do Nordeste

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