Programa nacional monitora águas da bacia amazônica PDF Imprimir E-mail
Saiu na Midia
12-Jul-2010

Os sete estados do Norte brasileiro abrigam, ao mesmo tempo, o maior aquífero e a maior bacia hidrográfica do mundo.  No entanto, no mapa da qualidade das águas do País, poucas são as informações divulgadas a respeito disso.  Nos indicativos e pesquisas feitos em nível nacional, não há dados precisos sobre a qualidade da água dos rios e das reservas subterrâneas da Amazônia.  O Índice de Qualidade das Águas (IQA), que mede o nível de contaminação da água bruta para o consumo no Brasil, a partir de nove parâmetros técnicos, desconsidera os rios da região Norte.  A distância e a dificuldade em se coletar amostras in loco e submetê-las à análise adequada isolam a Amazônia do resto do País quando o assunto é monitoramento da qualidade dos recursos hídricos.  Uma contradição que pode começar a ser quebrada com o Programa Nacional de Avaliação da Qualidade das Águas, o PNQA, lançado pela Agência Nacional de Águas (ANA) na última semana de junho.  O plano prevê o investimento de R$ 87 milhões para a implantação das redes de monitoramento e apoio às redes já existentes.  O sistema padronizado de avaliação e monitoramento, ainda incompleto, deve entrar em funcionamento até 2015.

De acordo com o especialista em recursos hídricos da ANA, Carlos Motta, existe uma rede de estações térmicas que se espalha por toda a Região Norte, centros que captam amostras e processam os resultados remotamente, enviando os dados por satélite.  Esta estrutura, porém, é limitada.  Ela oferece apenas parte dos parâmetros usados para o cálculo do Índice de Qualidade das Águas.  Para o restante das pesquisas, é necessário fazer a coleta de amostras e a análise em laboratório.  "Há problemas logísticos na Região Norte, por causa das grandes extensões.  As amostras coletadas precisam chegar no laboratório em até 24 horas.  Em mais de um dia, a água muda de propriedades físicas e químicas", diz Motta.  "No restante do País, as distâncias são menores e é possível fazer a coleta e levar ao laboratório.  Na região Norte, as grandes cidades ficam distantes umas das outras.  Além disso, não justifica ter um laboratório numa cidade muito pequena, montado para fazer uma analise a cada 4 meses."

No restante do Brasil, há estações de monitoramento da qualidade da água dos rios nos trechos seguintes às cidades, verificando o nível de contaminação que o núcleo urbano submete o rio.  Este tipo de monitoramento não existe na Região Norte.

A primeira ação do PNQA será a identificação da rede existente de monitoramento.  O raio-X da qualidade da água nos Estados será feito por uma empresa contratada pela ANA dentro de um prazo de um ano e meio.  A partir deste diagnóstico serão traçadas as metas de melhora no sistema de monitoramento.  No Portal da Qualidade da Água (www.pnqa.ana.gov.br) será possível consultar todos os dados sobre o monitoramento dos rios do país.  Hoje é possível encontrar um quadro que aponta a média nacional de qualidade das águas medidas a partir de dados coletados em 2008.  No restante do país, 70% da água disponível é considerada boa, 10% pode ser considerada ótima, 12% regular, 6% ruim e 6 % péssima.

O Liberal

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