Pará tem clima que favorece vendavais PDF Imprimir E-mail
Sipam na Mídia
06-Abr-2010

O 2° Distrito de Meteorologia (Disme), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), com base em estudos do pesquisador PhD em clima e dinâmica do clima, Luiz Carlos Baldicero Molion, aponta que nos próximos dez anos a incidência de vendavais deve aumentar por conta da fase fria da Oscilação Decadal do Pacífico (ODP). O fenômeno gera nuvens muito altas (com base a 1,5 mil metros do solo e topo a dez mil metros) e ventos frios. Quanto mais altas as nuvens, mais fortes e frios são os ventos.

Quando o vento frio encontra ar quente, como no Pará, são causadas fortes rajadas de vento, que podem chegar a 50 quilômetros por hora, a velocidade atingida pelas rajadas mais violentas registradas a partir de março. Apesar da divergência entre pontos de vista de meteorologistas e ambientalistas, o desmatamento na Região Metropolitana de Belém (RMB) por causa de construções (especialmente residenciais) tem se mostrado como um fator que tem contribuído para a formação de ventos fortes. Até metade de abril, as fortes rajadas de vento devem continuar.

A formação dos ventos ocorre quando rajadas de vento descendentes (downbursts) a partir das nuvens, que são mais frias, encontram ar quente na superfície. O ar frio, por ser mais denso, empurra o ar quente e o vento é gerado por esse movimento. No Pará, a velocidade regular gerada nesse processo é de dez quilômetros por hora, com máximo de 50, como a ventania que destelhou casas e derrubou árvores, no dia 1° de abril, no conjunto Satélite.

Quando o movimento faz um trajeto circular, então cria-se uma coluna de ar, que se tocar no chão, tranforma-se num tornado ou ciclone. Se atingir a água, forma-se uma tromba d’água, como a de Mosqueiro, em 31 de dezembro de 2009. A força das chuvas também influencia a velocidade dos vento por causar mais aceleração na descida do ar. O Pará é uma área que por causa da umidade e do alto calor, forma com facilidade vapor de água, que vai se transformar em nuvens.

Temperatura

 Ultimamente, têm sido geradas muitas nuvens do tipo cumulonimbus, que ficam a grandes altitudes e impulsionam ainda mais a descida dos ventos. Quanto maior a umidade, mais forte a chuva e mais elevada a temperatura da superfície, mais rápido é o vento. Para o meteorologista do centro regional do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Bernardino Simões, o Pará tem um 'sistema climático' ativo que favorece a formação de chuvas e ventos fortes.

O coordenador do 2° Disme, José Raimundo Abreu, acredita que o desmatamento não tem influência direta sobre a formação de rajadas de vento. Ele credita os últimos vendavais diretamenta à fase fria da ODP, que começou em 1998 e deve terminar entre 2018 e 2028. Nesse tempo, está prevista maior incidência de chuvas fortes acompanhadas de rajadas de vento.

'Temos rajadas de ventos fortes todos os anos, mas este ano o El Niño e a La Niña estão enfraquecendo, e com a ODP, tem havido maior frequência de vento forte. Aconteceram casos de destalhar casas e derrubar árvores, mas, se devem porque as casas podem não ter sido construídas adequadamente e as mangueiras que cairam estavam mal cuidadas, com raízes ruins e expostas. O desmatamento em si não tem relação direta com o vento', afirma. Por outro lado, o meteorologista lembra que áreas mais abertas tendem a facilitar o curso do vento por não colocarem barreiras que reduzam a velocidade.

José Raimundo garante que, nos próximos dez dias, a chuva e os ventos devem ser intensos, sendo que hoje e amanhã devem ter as chuvas mais fortes. A nebulosidade deve aumentar também. Ele alerta para que haja melhor cuidado com as árvores para evitar novas quedas e que a população reveja construções mais frágeis para evitar prejuízos. 'As chuvas devem cair na RMB a partir das 15 horas, enquanto que na região litorânea, somente à noite. Os ventos que devem vir com essas chuvas não são exatamente vendavais, mas, podem abalar estruturas frágeis', explica.

O Liberal

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