Belém tem dias de maré alta e chuvas abaixo da média PDF Imprimir E-mail
Sipam na Mídia
05-Abr-2010

FENÔMENO - Capital registra maior alta do ano. Águas invadem lojas e avenida.  
 
Março é o mês das marés altas. Nos primeiros minutos de ontem, as águas subiram quase quatro metros de altura. É a maior maré já registrada este ano em Belém. A alta de 3,9 metros é causada por um fenômeno natural que ocorre todos os anos e está relacionado ao movimento do globo terrestre em relação à lua e ao sol. As forças gravitacionais dos dois corpos celestes aliados à inclinação no eixo da Terra favorecem para o aumento do nível das águas nesta época do ano.

O fenômeno natural das cheias das marés deu uma pequena amostra no fim da manhã de ontem, com o transbordamento das águas da baía do Guajará para o centro comercial de Belém. Uma parte da Feira do Açaí, no Ver-o-Peso, e um trecho da avenida Boulevard Castilho França foram atingidos. Pequenos pontos de alagamentos foram identificados no momento em que as águas chegaram à marca de 3,7 metros.

As maiores marés do mês de março são provocadas pelo equinócio. É o momento em que a Terra fica alinhada com o sol pela linha do Equador e a aproximação com a lua fica reduzida. "Em função dessa aproximação da Terra com o sol, a força gravitacional é maior, e por isso as marés de março são as maiores do ano", explica Flávio Altieri, analista gerencial do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam).

O clima também está sendo afetado este ano. Segundo a meteorologia, o volume de chuvas de março será parecido com o de fevereiro. Com base nas previsões do Sipam, Belém, o sul e sudeste do Pará, o Baixo Amazonas (oeste) e a ilha do Marajó continuarão com chuvas abaixo da média. "O fenômeno El Niño está com anomalias, formando águas muito quentes, que estão migrando para longe da costa da sulamericana. Com isso, estão emergindo águas frias em bacias próximas à costa da América do Sul, o que empurra as águas questes para o oeste do globo. Esperamos um enfraquecimento do El Niño até o fim de maio. Ele vai existir, mas vai diminuir progressivamente e ter cada vez menos influência aqui", explica Márcio Lopes, meteorologista do Sipam.

O coordenador do 2º Distrito de Meteorologia (Disme) do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), José Raimundo Abreu, explica que o regime de chuvas na região amazônica, em especial no Pará, é resultante da atuação direta da zona de convergência intertropical. "É uma faixa de nuvem que envolve o globo terrestre. Nesse caso, a temperatura da superfície do Atlântico influencia para acelerar ou retardar o processo. Quanto maior a temperatura do oceano, mais rápido a zona se movimenta", diz.
 
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