Municípios decretam situação de emergência PDF Imprimir E-mail
Sipam na Mídia
16-Dez-2009

Mais de vinte mil roraimenses sofrem com a forte estiagem ocasionada pelo fenômeno El Niño. Anteontem, o governador Anchieta Júnior (PSDB) assinou quatro decretos homologando a situação de emergência nos quatro municípios da região sul: Caroebe, São João da Baliza, São Luiz do Anauá e Rorainópolis, considerados os mais afetados. O estado crítico já havia sido decretado, em 9 de dezembro passado, pelos prefeitos das cidades.

De acordo com o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Paulo Sérgio Ribeiro, a situação atinge a pecuária, agricultura e o abastecimento d’água dos municípios. Em Rorainópolis, por exemplo, alguns bairros já enfrentam a falta d’água, uma vez que o abastecimento é feito exclusivamente por poços artesianos e os mesmos estão secos.

Como consequência, os animais estão perdendo peso porque têm dificuldade em encontrar água para beber e pasto para se alimentar. “Ainda não morreu nenhum animal, mas se continuar desta forma, a condição pode se agravar”, alertou o coronel.

Em São João da Baliza as safras de banana, arroz e milho estão comprometidas. Até a usina de beneficiamento de arroz da cidade está fechada porque não conseguiu produzir por falta do grão, devido à escassez de água.

Em Caroebe parte da plantação de banana está prejudicada por causa da seca do rio de mesmo nome, que abastece a cidade. Outros rios menores da região igualmente estão secos.

Técnicos da Defesa Civil prestam assistência às prefeituras e também montam estruturas necessárias para combater a estiagem. Com a homologação do estado de emergência nos quatro municípios, os decretos serão enviados a Brasília para que sigam a legislação que regula o Sistema Nacional de Defesa Civil.

A partir daí, Roraima poderá receber recursos do governo federal para enfrentar a seca. Inclusive, já tramita no Ministério da Integração Nacional um projeto na ordem de R$ 10 milhões com esse propósito. No projeto, entre outras coisas, constam nove mil horas de máquinas para construir bebedouros para os animais, para construir aceiros para prevenir o incêndio florestal e construir poços artesianos com mais de 100 metros de profundidade.

“Esse desastre [seca] é natural, provocado pelos fenômenos climáticos. Ele é previsível e gradual, e se não mudarem as condições climáticas, a situação será ainda pior. Já existem várias máquinas trabalhando nessas cidades, construindo bebedouros para salvar o gado. Quanto à perda da safra, não temos o que fazer a não ser doar cesta básica para ajudar a população por um tempo determinado, até que a situação se restabeleça”, enfatizou o coronel Paulo Sérgio.

Outra preocupação, segundo ele, é com os riscos de incêndio florestal. “Sabendo que não tem umidade e que o material da floresta está suscetível ao fogo, se o agricultor queimar para plantar, ele vai provocar grandes incêndios”, advertiu o coordenador da Defesa Civil no Estado.

ALERTA – Conforme o coronel, o cenário crítico de estiagem deve se estender a outros municípios. Técnicos da Defesa Civil estão em Cantá e Bonfim fazendo acompanhamentos da situação. Iracema, Caracaraí, Amajari, Mucajaí e Alto Alegre também devem receber a visita dos técnicos.

EL NIÑO – De acordo com o analista ambiental Ramon Alves, da Fundação Estadual do Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia (Femact), a previsão de chuvas para Roraima continuará abaixo da média até fevereiro de 2010, segundo boletins climáticos do Centro de Previsão e Estudos Climáticos (Cepetec) e do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), por conta da permanência do fenômeno El Niño. 

O clima continuará quente e seco no trimestre dezembro, janeiro e fevereiro, com pancadas de chuva em áreas isoladas. A temperatura média no Estado é de 23°C a 35°C, mas os termômetros têm registrado ultimamente 38°C. O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento das águas do oceano Pacífico. Há alguns meses o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que faz a previsão pluviométrica no Estado, não fornece os dados da quantidade de chuvas à Femact por causa de um aparelho que está quebrado. Em Boa Vista não existe outra estação meteorológica para medir os índices de chuvas.
 
Seca também atinge a ilha de Maracá

Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a ilha de Maracá, banhada pelo rio Uraricoera e situada entre os municípios de Alto Alegre e Amajari, também está sofrendo as consequências da forte estiagem. A ilha, considerada a maior da região, é cercada por outras cem ilhas e ilhotas.

A situação afeta os animais, uma vez que o baixo nível do rio forma pequenos poços de água. Como alguns animais dependem da água corrente para sobreviver, eles ficam isolados e acabam morrendo por conta dos imensos bancos de areia formados no leito dos rios.

Quanto aos incêndios, o risco também se torna iminente, já que a vegetação seca fica suscetível ao fogo provocado por colonos que vivem ao redor da ilha e por pescadores que invadem a reserva ambiental para pescar. 

A ilha de Maracá conta com mecanismos de proteção, sendo uma unidade de satélite que faz o monitoramento detectando pontos de calor, e a Brigada de Combate ao Incêndio, criada recentemente para agir em casos de emergência. 

A região rica na biodiversidade reúne animais dos seus dois biomas, o lavrado e a floresta.  É um nicho ecológico protegido pelo rio Uraricoera, mas que está sofrendo graves consequências da estiagem atípica. 

Folha de Boa Vista

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