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Censipam lança SIPAMSar

O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), lançou o Sistema Integrado de Alertas de Desmatamento da Amazônia (SIPAMSar).

No dia 21/2/2018 (quarta-feira), o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), lançou o Sistema Integrado de Alertas de Desmatamento da Amazônia (SIPAMSar), com a presença do ministro da Defesa, Raul Jungmann. A cerimônia contou também com a presença do Secretário de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, José Pedro de Oliveira Costa, que representou o ministro Sarney Filho, da presidente do IBAMA, Suely Araújo, do presidente do ICMBio, Ricardo Soavinski, do diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Queiroz Segovia Oliveira, de Parlamentares da Amazônia, dentre outros.

Esse sistema detecta a supressão da vegetação florestal em seu estágio inicial e outros ilícitos que possam ocorrer na Amazônia Legal utilizando dados de sensores orbitais de Radar de Abertura Sintética (SAR).
A Amazônia tem como característica a grande presença de cobertura de nuvens e a ocorrência de chuvas durante os meses de outubro a abril.

Nesse período, os sensores ópticos, amplamente utilizados para o monitoramento da cobertura vegetal, sofrem a interferência das nuvens, dificultando e muitas vezes impedindo a obtenção das imagens da superfície para a análise do desmatamento. Dessa forma, a emissão de alertas de desmatamento diminui, podendo levar a interpretação de diminuição da retirada da vegetação, sendo que na verdade trata-se da limitação de obtenção de imagens para análise.

Com o objetivo de ampliar a capacidade de detectar o desmatamento e a proteção da Amazônia, o Censipam passou a utilizar dados de sensores orbitais de Radar de Abertura Sintética (SAR) para a obtenção de imagens durante o período de outubro a abril. Essa tecnologia tem como uma das características a capacidade de poder obter imagens da superfície mesmo com a presença de nuvens, sendo estas invisíveis para o sensor. Assim, o Censipam colabora com os órgãos de fiscalização gerando alertas de desmatamento na época em que a Amazônia está sob maior cobertura de nuvens.

No início do mês de outubro de cada ano, o Censipam começa a receber os dados SAR (Radar de Abertura Sintética) com resolução espacial de 3 metros de áreas indicadas como prioritárias pelos órgãos de fiscalização, como o IBAMA e ICMBio, fruto de uma parceria entre o Ministério da Defesa e o Ministério do Meio Ambiente.

Os dados são recebidos no Centro de Processamento do Centro de Coordenação-Geral (CCG) do Censipam, em Brasília. Nele, os dados são processados e são geradas as imagens com os indicativos de alteração na cobertura da terra.

Essas imagens são, então, disponibilizadas aos Centros Regionais de Belém, Manaus e Porto Velho, nos quais são realizadas a análise, interpretação e geração dos alertas de desmatamento. A partir daí, no dia seguinte à identificação de um aumento de desmatamento, esse alerta fica disponível ao IBAMA e ao ICMBio por meio de um geoserviço do Censipam. Esse fluxo de trabalho se repete mensalmente para cada cena das áreas monitoradas durante os meses de outubro a abril.

A geração dos alertas de desmatamento tem como objetivo subsidiar os órgãos responsáveis pelas ações de fiscalização como IBAMA, ICMBio e Secretarias do Meio Ambiente nos Estados da Amazônia Legal no combate aos ilícitos ambientais.

O uso de imagens SAR com o objetivo de detectar o desmatamento na Amazônia teve início em 2013 e, até 2015, o sistema utilizou sensores SAR aerotransportados da aeronave R-99. As limitações operacionais em se realizar o monitoramento frequente de uma área tão vasta levaram à necessidade de se buscar uma alternativa para o monitoramento do desmatamento. Essa deveria ser flexível e possibilitar, pelo menos, uma cobertura mensal da área de interesse.

Em julho de 2015, o Censipam aprovou um projeto junto ao BNDES com recursos do Fundo Amazônia, denominado Amazônia SAR o qual prevê a implantação de uma infraestrutura de recepção de dados de sensoriamento remoto provenientes de satélites de observação da Terra, em especial, dados SAR. A partir da sistematização do uso dos dados SAR e da geração de alertas mensais no período de outubro a abril, surgiu então o Sistema Integrado de Alertas de Desmatamento com radar orbital- SIPAMSar, produzindo alertas a partir da análise e interpretação das imagens.

A partir da instalação de sua estação de recepção e gravação (ERG), o Censipam passará a receber os dados SAR diretamente em sua própria infraestrutura, que contará com duas antenas de rastreio, uma de 11,3m instalada em Brasília e uma de 7,3m instalada em Manaus.

Assim, o tempo entre a coleta da imagem e a emissão do alerta de desmatamento melhorará o tempo de resposta do sistema, uma vez que o dado coletado pelo satélite será imediatamente descarregado em uma das antenas do sistema e entrará no fluxo de trabalho que hoje está em operação no Censipam.

A área monitorada tem sido, desde 2016, de 300 mil km² mensais, no período compreendido entre outubro e abril, pelo Censipam nos estados da Amazônia.

A cerimônia de lançamento foi transmitida por videoconferência aos Centros Regionais de Belém, Manaus e Porto Velho. A apresentação conceitual e técnica foi feita pelo Assessor Militar Cel EB Miguel Archanjo Bacellar Jr e a demonstração foi realizada pela Analista em Ciências e Tecnologia Cristina Beneditti.

O Ministro Jungmann encerrou a cerimônia citando o filósofo inglês Giddens, dizendo: "como os perigos mais graves do aquecimento global não são visíveis no dia a dia mesmo que as ameaças e perigos sejam conhecidos, eles não são imediatos e palpáveis no decorrer da vida cotidiana, pouco de concreto é feito a seu respeito”. Nesse sentido, o Censipam está fazendo a sua parte.

Ao final o Ministro Raul Jungmann parabenizou o Diretor-Geral Rogério Guedes Soares, pela criação do SIPAMSar para proteção da Amazônia Legal, que apelidou carinhosamente de Guardião da Amazônia.

 

 

Fotógrafo/Monteiro